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Conto de terror para copiar:
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O Cemitério Esquecido |
Na manhã seguinte, Elisa acordou na cama dos pais e, por um momento, pensou que tudo não passara de um pesadelo. Mas, ao descer para a cozinha, viu os pais de pé ao lado da lixeira aberta.
— Elisa, você pegou aquela boneca de volta? — perguntou a mãe, com a voz tensa.
A menina arregalou os olhos e balançou a cabeça rapidamente.
— Não! Eu juro!
O pai passou a mão na cabeça, inquieto.
— Eu... eu não lembro se joguei na lixeira ou se arremessei para o quintal. Talvez tenha caído para fora…
Tentaram não pensar mais naquilo. Elisa foi para a escola, e seus pais saíram para o trabalho. Mas, ao voltar para casa no fim da tarde, quando se aproximou da rua onde conhecera a velha, hesitou. Seu coração bateu mais forte.
Decidiu ir por outro caminho. Era mais longo, mas naquele dia, não queria passar por ali.
A noite caiu. No quarto, Elisa tentava se concentrar nos deveres de casa, mas seu pensamento voltava sempre para Bruaquilda. Onde ela estaria?
Quando finalmente foi se deitar, deixou a porta do quarto entreaberta. A luz do poste da rua entrava pelas frestas da cortina, projetando sombras pelo cômodo. O silêncio pesava no ar.
Então, percebeu algo se movendo.
Seu corpo congelou. Ela tentou dizer algo, mas sua garganta estava travada. Os olhos, aterrorizados, seguiram o vulto sombrio se arrastando pelo espaço entre o roupeiro e a parede. Depois, deslizando para debaixo da escrivaninha.
A respiração de Elisa ficou curta. O medo se espalhava por todo o seu corpo. E então, uma última percepção gelou sua alma:
Algo se mexia debaixo de sua cama.
Foi quando ela ouviu um sussurro rouco e macabro:
— Você me traiu... Contou nosso segredo...
A menina quis gritar, mas não conseguiu. O ar parecia preso nos pulmões. Lentamente, uma criatura emergiu do pé da cama. Tinha o mesmo tamanho e formato de Bruaquilda, mas agora era coberta de pelos escuros e desgrenhados, os olhos brilhando de ódio.
Ela a encarou por longos segundos, então virou-se e correu para o canto do quarto, desaparecendo na sombra entre o roupeiro e a parede.
Elisa permaneceu rígida, incapaz de se mover. As horas passaram, e só muito tempo depois, exausta pelo medo, conseguiu adormecer — apenas para ser atormentada por pesadelos fragmentados.
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No dia seguinte, Elisa chegou à escola com olheiras profundas. Tentando evitar preocupação de seus pais, decidiu guardar para si os eventos da noite anterior. Mas sua melhor amiga, Camila, percebeu seu estado imediatamente.
— Elisa, o que houve? Você está péssima!
A menina hesitou, então contou tudo. Desde o encontro com a velha até a aparição da criatura em seu quarto.
Camila arregalou os olhos.
— A gente precisa voltar naquela rua — disse ela, determinada.
À tardinha, as duas chegaram à rua antiga. Elisa apontou o banco onde conhecera a velha. Camila, por sua vez, observou uma casa abandonada do outro lado da rua.
— Dizem que há trinta anos morava uma velha ali. Ela costumava espiar as crianças pela janela...
Movidas pela curiosidade, decidiram entrar. A porta estava entreaberta, enferrujada e frágil. Dentro, o chão estava coberto de folhas, limo e raízes que invadiam o piso de madeira.
Foi quando pisaram em algo oco.
Abaixando-se, descobriram uma tábua solta. Ao removê-la, uma escada de madeira apodrecida descia para o porão.
Com o coração disparado, desceram.
Na penumbra, dezenas de bonecas de pano idênticas a Bruaquilda as observavam.
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Elisa e Camila subiram as escadas da casa abandonada, sentindo os degraus rangendo sob seus pés. Os corações martelavam no peito, e o suor frio escorria por suas têmporas. Mas ao chegarem ao térreo, congelaram no lugar.
Sentada em um sofá roto, cercado pelo mato crescido que invadia a sala, estava a velha.
Ela sorria. Um sorriso doentio, amarelado, com dentes podres à mostra. Seu rosto parecia mais enrugado do que antes, como se sua pele fosse feita de pergaminho velho. Os olhos eram de um branco leitoso, cegos ou algo pior. Mas mesmo sem pupilas visíveis, parecia que ela as enxergava perfeitamente.
— O que foi, meninas? — murmurou, com a voz rouca e arranhada.
O som percorreu o ar como um vento gelado. Elisa sentiu um arrepio correr pela espinha. Camila agarrou o braço da amiga, mas nenhuma das duas conseguiu responder.
A velha inclinou a cabeça para o lado, ainda sorrindo. O tempo parecia ter parado.
Então, como num rompante de coragem, Elisa puxou Camila e atravessou a sala, mantendo os olhos fixos na saída. Seus pés pisavam com cautela, como se qualquer movimento brusco pudesse acordar algo terrível dentro daquela mulher. A porta estava perto, apenas alguns passos.
A velha não se moveu. Apenas seguiu as garotas com seus olhos mortos.
Quando enfim cruzaram a soleira e saíram para a rua, Camila soltou um suspiro trêmulo.
— Ela... ela tá viva ou morta? — sussurrou.
Elisa ainda olhava para a casa, a porta aberta como uma boca escura.
— Eu não sei…
As duas ficaram ali por um momento, absorvendo o que acabara de acontecer, antes de se despedirem rapidamente e correrem para suas casas.
Já era noite quando Elisa chegou em casa. A casa estava silenciosa, os pais ainda não tinham voltado do trabalho. Ela trancou a porta e foi direto para o quarto.
Ao abrir a porta, percebeu algo diferente.
Não sentia mais aquele medo paralisante. Não sentia mais que precisava fugir. Algo dentro dela havia mudado.
Ela ficou parada no meio do quarto, respirou fundo e então chamou, sem hesitar:
— Bruaquilda.
O silêncio engoliu o ambiente.
Então, o espaço escuro entre o roupeiro e a parede pareceu se agitar. Algo emergiu dali, saindo devagar.
Bruaquilda estava de volta. Mas agora, sua forma era monstruosa. Seus olhos eram dois buracos negros brilhantes, e seu corpo peludo parecia ainda mais grotesco. As garras curtas e afiadas roçavam o chão de madeira.
Elisa sentiu uma raiva crescer dentro dela.
— Volte para o inferno de onde você saiu — disse, e surpreendeu-se com a firmeza de sua própria voz.
Bruaquilda parou. Seus olhos faiscaram com algo que parecia dor. Então, soltou um gemido horrível, algo entre um grito e um rosnado. Seu corpo começou a se contorcer violentamente, como se algo estivesse rasgando-a por dentro.
E então...
Fogo.
Chamas laranjas surgiram ao redor da criatura, consumindo sua pele peluda. O fogo dançava, iluminando o quarto com sombras que pareciam rostos gritando. Bruaquilda se retorceu mais uma vez, e então...
Colapsou.
No lugar da criatura, restava apenas a boneca de pano. Pequena, inofensiva... Mas ainda em chamas.
Elisa ficou parada, olhando para Bruaquilda queimando no chão do quarto.
Dessa vez, ela não sentiu medo. Apenas alívio.
Mas, no fundo da mente, uma pergunta ainda a atormentava:
E se houvesse mais?
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